Quando a centralização piora o serviço
No dia 28 de janeiro de 2026, na Assembleia de Freguesia, a CDU foi a única força política a votar contra a Proposta relativa à alteração do contrato interadministrativo entre a Junta de Freguesia de Rio de Mouro, a Câmara Municipal de Sintra e os SMAS, no âmbito da limpeza pública e recolha de resíduos (monos).
Na altura, dissemos claramente que esta não era apenas uma alteração técnica – era uma opção política de centralização, que retirava à Junta de Freguesia capacidade de intervenção direta numa área onde a rapidez de resposta faz toda a diferença.
Alertámos, também, que retirar à Junta de Freguesia a gestão direta da recolha de monos, iria inevitavelmente afastar a decisão de quem conhece o território, os bairros e os problemas concretos da população.
Hoje, começam a surgir sinais claros disso mesmo, demonstrando que a CDU tinha razão quando nos opusemos à retirada da gestão direta da recolha de monos à Junta de Freguesia. 
Têm aumentado as queixas de fregueses relativamente à demora na recolha de monos. Situações que antes eram resolvidas de forma mais rápida, permanecem agora mais tempo na via pública, com impactos evidentes na limpeza urbana, na salubridade e na qualidade de vida.
Mas há outro problema que importa abordar.
O modelo criado trouxe mais burocracia e mais trabalho administrativo. Os pedidos feitos pelos fregueses através do “Sintra Resolve” são recebidos pelos SMAS e só depois encaminhados para a Junta. Ou seja, criou-se mais um circuito intermédio num serviço onde aquilo que devia existir era rapidez e resposta imediata.
Começam, também, a surgir dúvidas relativamente ao tipo de ocorrências que estão a ser enviadas para a Junta, havendo situações que ultrapassam aquilo que está previsto no próprio protocolo de recolha de monos.
No fundo, quem está na rua acaba por ter mais dificuldades, mais carga administrativa e menos capacidade de resposta.
E é importante dizer isto com clareza: os trabalhadores da Junta não são o problema. O problema é um novo modelo criado pela Câmara PSD / CH / IL que centraliza decisões, complica procedimentos e reduz a autonomia de quem está no terreno.
Na declaração de voto apresentada pela CDU já alertávamos para o facto de este modelo poder degradar um sistema que funcionava e desvalorizar o trabalho desenvolvido pelos serviços da Junta.
Hoje, infelizmente, começa a ser isso que se vê.
Porque quando se retiram competências, se criam entraves e depois surgem falhas no serviço, aquilo que acaba por acontecer é a descredibilização dos serviços públicos locais junto da população.
E a questão que se coloca é legítima: estará a ser criada esta entropia para mais tarde justificar que o serviço público “não funciona” e abrir caminho à privatização?
A CDU continuará a defender exatamente o contrário: serviços públicos de qualidade, meios para responder rapidamente aos problemas reais da população e trabalhadores valorizados.
Junta de Freguesia
Contribuir de forma ativa para a qualidade de vida de toda a comunidade.







